30.9.11

Mahler e Hubmann.

O grande compositor austríaco Gustav Mahler, um potentado do romantismo tardio - como dizia Stalin, ao se referir a Lenin: "Uma Torre Alta" - , autor de dez sinfonias, era casado com uma das mais belas e desejadas mulheres de sua época. Alma Mahler.

Mas vivia constantemente atormentado com a idéia da morte. E - quem sabe o porquê? -, sofria de um certo tipo disfunção sexual. É fato notório que procurou Sigmund Freud, na tentativa de encontrar uma cura para seus contratempos da vida conjugal. Claro que não deu certo.

Morreu cedo, de um mal do coração. Dizem que, de tanto trabalhar, regendo ensaios intermináveis. Alma, é compreensível, procurou um ombro amigo (ombro enquanto ombro, e ombro enquanto metáfora). Encontrou-o em Hubmann.

Ao contrário de Mahler, Hubmann nada entendia de música. Mas tinha talento especial para teorias estranhas e insights descabidos. Isso encantou a bela Alma. Deu-se o romance, a paixão e o adultério. No entanto, após a morte do maestro seu esposo, Alma afastou-se do amante.

Para uma confidente, embora com relutância, admitiu que uma mulher de sua posição precisava encontrar outro marido, e que seria muito difícil fazê-lo carregando consigo um amante.

Conta a lenda que Alma e Hubmann, após a abrupta separação, jamais voltaram a se encontrar. Naquela época, as missivas eram muito comuns, em especial entre apaixonados. Contudo, não há um único registro sequer sobre alguma troca de cartas entre os ex-amantes.

Num dos seus últimos trabalhos, Hubmann fez sutil referência à sua aventura com aquela mulher casada. Disse que somente uma separação repentina e irreversível, um distanciamento total e permanente, justificam a permanência de uma mulher no coração de um homem, e que todo o resto é passageiro e transitório. Não se sabe se Alma leu tal passagem. Mas supõe-se que não.

2 comentários:

Anônimo disse...

Se ela leu, morreu feliz...
rsrsr...

Cris disse...

Existem pessoas que se unem àquilo que lhes parece distante. Ao ter esse objeto bem próximo, parece que ocorre como que um desencatamento. A história de Alma e Hubmann me remete a esse tipo de personalidade.