29.9.11

Um estrada paralela para o otimismo.

O envelhecimento e a morte têm sido parceiros inseparáveis do Homem. Muito se fala em retardo do envelhecimento, e quem sabe, extrema Utopia, na eliminação da morte. A passagem bíblica da ressurreição de Lázaro, talvez o maior milagre de Cristo, é a representação desse desejo.

Num de seus últimos trabalhos, Hubmann debruçou-se sobre este tema. Claro, com o costumeiro ceticismo tão peculiar. Não questionou, em nenhum momento, a possibilidade do feito da supressão da morte, da conquista da eterna juventude, para ele, coisa menor. Preferiu refletir sobre as consequências da realização de tão almejado desejo.

Para Hubmann, o envelhecimento é ruim, em todos os seus variados aspectos, não somente a decadência física, mas sobretudo a deterioração psicológica e do caráter. Argumenta que a vida é a soma de experiências positivas e negativas. Mas mostrou que elas não se eqüivalem, não havendo simetria, haja vista o fato de que acontecimentos negativos pesam muito mais sobre a alma humana, resultando em danos os mais deletérios, de modo a sobrepujar as alegrias e o sabor das experiências positivas da existência.

Como o passar do anos, afirmava ele, o conjunto geral tende sempre a piorar, e muito. E a tão propalada sabedoria decorrente da experiência, nem de longe supera o acumulo de decepções, frustrações, invejas, desgastes emocionais, e toda a sorte de coisas ruins que pesam mais e mais sobre nossos ombros, os quais não encontram equilíbrio na alegria daquilo que de bom a vida longa pode nos oferecer.

Numa experiência mental, indagou sobre uma humanidade liberta da doença, da velhice e da morte. Para ele, o pior dos mundos, pois um amontoado de indivíduos atormentados por toda sorte de dissabores próprios da existência longa e, quanto mais longa, mais decadente.

Hubmann concluiu, sobre severa crítica de seus pares, que a morte dos indivíduos, gerações sucedendo gerações, ainda é o que torna a existência suportável. E, nessa linha, alertou para aventuras que colocam o Homem contra sua própria natureza.

0 comentários: