5.10.11

Comunismo, liberalismo e infelicidade.

Em entrevista à The Economist, em meados da década de 70, Hubmann fez uma breve explanação sobre as diversas formas de totalitarismo. Afirmou que somente uma atitude otimista e excessivamente esperançosa a respeito da condição humana poderia resultar em ideologias que desembocaram nos totalitarismos fascista, nazista e comunista.

"Somente a ilusão e a fé desmedida na possibilidade de moldar e aprimorar o ser humano através da Raça, do Povo e do Estado, bem como as construções coletivistas baseadas no igualitarismo, poderiam resultar em monstros como o nazismo e o comunismo. Ambos frutos de um tipo de otimismo muito em voga, que propagandeia ser possível transformar a humanidade em coisa melhor do que ela de fato é. Somente uma mulher desmiolada acredita poder mudar a natureza de seu marido, e se persegue tal objetivo é porque é movida pelo otimismo e pela esperança, confundindo desejo com possibilidade de realização. Os povos e nações que optaram por se submeter ao jugo de Hitler, Lenin ou Fidel Castro, o fizeram da mesma forma que certas mulherzinhas se deixam levar pelos próprios sonhos enganosos de um casamento feliz."

A entrevista provocou reações as mais diversas, especialmente nas esquerdas e nos grupos de feministas de então. Hubmann foi acusado de ser um reacionário conservador machista pessimista. Por outro lado, os adeptos do liberalismo de mercado festejaram o ataque do pensador às ideologias coletivistas. Meses depois, numa outra entrevista, quando indagado sobre se as leis de mercado poderiam conduzir a sociedade para um porto seguro, Hubmann foi direto ao cerne de seu sistema de idéias:

"Aquilo que os economistas denominam de leis de mercado, a exemplo da Oferta e Demanda, são emanações da natureza humana. Lutar contra elas é pretender fugir do que somos. E qualquer tentativa nesse sentido, a exemplo do que pretendem os comunistas, resultará sempre em catástrofe. No entanto, como é possível imaginar um porto seguro para a sociedade com base naquilo que deriva da natureza humana, ela própria fonte de toda a infelicidade?"

2.10.11

Sexo Livre. Uma teoria de Hubmann.

Num dos seus últimos trabalhos, Hubmann pensou nas consequências da adoção do sexo livre. "O sexo é uma ferramenta para a reprodução da espécie humana" - escreveu ele. "Seu impulso é poderoso, não necessitando de incentivos, mas de contenções. Libertá-lo das fortes convenções sociais é, no fim das contas, atender a um apelo contra a civilização. Liberte-o totalmente e, dentro de poucas gerações, não restará pedra sobre pedra do edifício que a humanidade criou para diferenciá-la do reino dos animais."

Pois bem. Uma coisa leva a uma outra. A cada estatística diminui o número de católicos. É um avanço contínuo sobre uma muralha.

Nos dias que correm, qualquer um levanta o dedo para acusar a Igreja. Também fruto da invasão comunista em seu seio. Os professores de História ainda nos fazem acreditar que a Santa Inquisição foi um mal de grandes proporções, passando ao largo quando o assunto são os crimes mais recentes perpetrados pelos comunistas da URSS e de Cuba.

Quando o tema é camisinha, aí o pau rola. Não falta quem levante o dedo contra o papa, acusando-o de crime, de mentor da proliferação da aids. Uma contradição, haja vista que ninguém mais obedece aos ditames do vaticano no que se refere a sexo e comportamento, exceção feita somente às freiras.

A Igreja já perdeu, há muito, a guerra contra o sexo livre e desenfreado. As propagandas de combate às doenças sexualmente transmissíveis são, no fim das contas, um apelo a se fazer mais sexo: - Use Camisinha -, eis o bordão.

Poucos param pra pensar na impossibilidade do controle de uma doença (a não ser com bons remédios, e camisinha não é remédio) cuja transmissão se dá através de um comportamento da moda, haja vista o esforço que se faz para incentivar uma prática que leva à propagação da epidemia.

Nos meus tempos de menino, todo mundo era católico. Quase todos, é claro. De uns tempos pra cá, virou moda ser new-evangélico, espírita, crer em Deus sem ter religião. Há até quem arrisque ser ateu, coisa impensável antes. Enfim, é moda não ser católico. O alerta de Hubmann já se perdeu no tempo. Está misturado àquelas coisas que os anos transformam em pó e esquecimento. Aliás, mesmo lá, nos idos do início do século XX, ninguém deu bola. Pois, desde sempre, o bom mesmo é trepar.

30.9.11

Mahler e Hubmann.

O grande compositor austríaco Gustav Mahler, um potentado do romantismo tardio - como dizia Stalin, ao se referir a Lenin: "Uma Torre Alta" - , autor de dez sinfonias, era casado com uma das mais belas e desejadas mulheres de sua época. Alma Mahler.

Mas vivia constantemente atormentado com a idéia da morte. E - quem sabe o porquê? -, sofria de um certo tipo disfunção sexual. É fato notório que procurou Sigmund Freud, na tentativa de encontrar uma cura para seus contratempos da vida conjugal. Claro que não deu certo.

Morreu cedo, de um mal do coração. Dizem que, de tanto trabalhar, regendo ensaios intermináveis. Alma, é compreensível, procurou um ombro amigo (ombro enquanto ombro, e ombro enquanto metáfora). Encontrou-o em Hubmann.

Ao contrário de Mahler, Hubmann nada entendia de música. Mas tinha talento especial para teorias estranhas e insights descabidos. Isso encantou a bela Alma. Deu-se o romance, a paixão e o adultério. No entanto, após a morte do maestro seu esposo, Alma afastou-se do amante.

Para uma confidente, embora com relutância, admitiu que uma mulher de sua posição precisava encontrar outro marido, e que seria muito difícil fazê-lo carregando consigo um amante.

Conta a lenda que Alma e Hubmann, após a abrupta separação, jamais voltaram a se encontrar. Naquela época, as missivas eram muito comuns, em especial entre apaixonados. Contudo, não há um único registro sequer sobre alguma troca de cartas entre os ex-amantes.

Num dos seus últimos trabalhos, Hubmann fez sutil referência à sua aventura com aquela mulher casada. Disse que somente uma separação repentina e irreversível, um distanciamento total e permanente, justificam a permanência de uma mulher no coração de um homem, e que todo o resto é passageiro e transitório. Não se sabe se Alma leu tal passagem. Mas supõe-se que não.

29.9.11

Um estrada paralela para o otimismo.

O envelhecimento e a morte têm sido parceiros inseparáveis do Homem. Muito se fala em retardo do envelhecimento, e quem sabe, extrema Utopia, na eliminação da morte. A passagem bíblica da ressurreição de Lázaro, talvez o maior milagre de Cristo, é a representação desse desejo.

Num de seus últimos trabalhos, Hubmann debruçou-se sobre este tema. Claro, com o costumeiro ceticismo tão peculiar. Não questionou, em nenhum momento, a possibilidade do feito da supressão da morte, da conquista da eterna juventude, para ele, coisa menor. Preferiu refletir sobre as consequências da realização de tão almejado desejo.

Para Hubmann, o envelhecimento é ruim, em todos os seus variados aspectos, não somente a decadência física, mas sobretudo a deterioração psicológica e do caráter. Argumenta que a vida é a soma de experiências positivas e negativas. Mas mostrou que elas não se eqüivalem, não havendo simetria, haja vista o fato de que acontecimentos negativos pesam muito mais sobre a alma humana, resultando em danos os mais deletérios, de modo a sobrepujar as alegrias e o sabor das experiências positivas da existência.

Como o passar do anos, afirmava ele, o conjunto geral tende sempre a piorar, e muito. E a tão propalada sabedoria decorrente da experiência, nem de longe supera o acumulo de decepções, frustrações, invejas, desgastes emocionais, e toda a sorte de coisas ruins que pesam mais e mais sobre nossos ombros, os quais não encontram equilíbrio na alegria daquilo que de bom a vida longa pode nos oferecer.

Numa experiência mental, indagou sobre uma humanidade liberta da doença, da velhice e da morte. Para ele, o pior dos mundos, pois um amontoado de indivíduos atormentados por toda sorte de dissabores próprios da existência longa e, quanto mais longa, mais decadente.

Hubmann concluiu, sobre severa crítica de seus pares, que a morte dos indivíduos, gerações sucedendo gerações, ainda é o que torna a existência suportável. E, nessa linha, alertou para aventuras que colocam o Homem contra sua própria natureza.

28.9.11

A deliciosa vida dos homens das cavernas.

Poucas visões sobre o tempo das cavernas são tão interessantes quanto aquela que Hubmann nos apresenta num dos seus últimos trabalhos. Segundo ele, duas fêmeas jamais brigavam por um macho. Ao contrário, elas se uniam em busca do mais forte. Mais que isso, simulavam entre si um ato sexual, uma chupando a outra, enrolando-se sensualmente no chão de pedra, nuas. O macho mais capacitado e agressivo, diante do convite, vinha correndo e comia as duas. Ambas lucravam, ganhavam um macho disposto, apto e provedor.

Mas Hubmann não fica somente aí. Argumenta que tal memória de tempos imemoriais permanece até hoje, explicando por que os homens ficam tão excitados quando diante de duas mulheres que se beijam. E, na mesma linha, lança uma nova luz sobre a excitação feminina quando diante de dois ou mais homens em luta feroz. No cérebro da fêmea, diz ele, "um macho socando murro no outro traduz a disputa por uma parceira". Daí a frase célebre: "Homens em luta, mulheres no cio."

Hubmann argumenta sobre a inutilidade de brigas entre duas mulheres, bem como do ato sexual entre homens. Feio porque inútil.

26.9.11

Voltaremos.

Em breve, atendendo aos apelos, estaremos de volta.


Aguardem.

27.12.10

Fim do governo Lula?

Fim do governo de Luiz Inácio. Muita choradeira e lágrimas por parte daquele que sai. Pudesse ele, é o que as lágrimas indicam, ficaria onde está... imperial...

Como o tempo não para, contra a vontade de Lula, aproximamo-nos rapidamente dos primeiros momentos de 2011 e, com eles, um novo governo tomará seu lugar.

Não está claro se vamos ter dois presidentes ou se um bando de gente.

Quando ninguém manda, todos desmandam. A coisa tá parecida com o primeiro governo Lula, quando tínhamos quatro mãos - Palocci, Dirceu, Gushiken e Lula

Feliz Ano Novo.

8.11.10

ENEM - Dilma, reprove Haddad!

Por que insistem tanto em errar na prova do ENEM? Eu não estou falando dos estudantes, refiro-me aos organizadores, ao MEC, ao ministro Haddad.

Não fosse fato, prova inconteste e crua da incompetência do Governo Federal, seria uma obra de comédia ficcional. Mais ainda, tratando-se de prova de proporção nacional, o escândalo vaza por todos os lados e adquire uma dimensão do tamanho do fracasso da educação pública brasileira. Ora, é quando a educação vira caso de polícia.

Peço à presidente eleita Dilma Rousseff (que Deus me proteja, amém!) - Tire esse tal de Haddad. Mesmo que seja somente pra fazer fachada.


26.10.10

Afinal, Serra, de que lado tu tá?!

Debate de ontem, transmitido pela Record. Serra, na intenção de mostrar que Dilma diz uma coisa e faz outra, faz uma coisa e diz outra, resolveu ele mesmo tocar na ferida das privatizações, e até foi insistente. Em princípio, nada contra. Afinal, Dilma diz uma coisa e depois desdiz, mesmo sem nada fazer. No entanto, soou estranho.

Pois bem, Serra argumentou que Dilma diz ser contra a privatização mas fez concessões de exploração de petróleo para empresas privadas nacionais e estrangeiras. Chegou até a citar a quantidade de "privatizações de Dilma", mais de cem, se não me engano. Eu entendi, Serra. Mas o fez de modo tão insistente e com tanta paixão que parecia mais um petista "bocó" declarando amor a uma estatal.

Serra, não sei a razão, prefere namorar a Petrobras do que efetivamente mostrar as vantagens da iniciativa privada. Um desavisado ou alguém menos informado acreditaria estar ouvindo um candidato a criticar o adversário por adotar medidas econômicas liberais.

Insisto. Tem um erro aí. O que Serra fez ontem só aumenta o poder do discurso petista de demonização das privatizações de FHC. É um tiro no pé. Se FHC estivesse lá, e pudesse falar, iria dizer: - "afinal, Serra, de que lado tu tá?".

25.10.10

Lula sabe quem é FHC. Mas o PSDB parece não saber.

Não ter a disposição e a coragem para defender o legado de um aliado político sempre dará margem para que o opositor fique a lhe espetar.

É o que aconteceu com Serra em 2002, com Alckmin em 2006 e, em menor grau, agora com Serra em 2010. Refiro-me, claro, ao legado de Fernando Henrique Cardoso.

O mais interessante é que o legado de FHC - estabilidade da economia, privatizações, Lei de Responsabilidade Fiscal, PROER e programas sociais diversos - foram altamente positivos para o Brasil, em especial para os mais pobres, e, mesmo assim, o tucanato refuga. O PSDB permaneceu praticamente oito anos em silêncio sobre este assunto, deixando Lula falar sozinho para o povo, transformando avanços reais em herança maldita.

Diante de uma candidata semi-tosca, Serra - homem público e político reconhecidamente preparado - não consegue articular a defesa de tudo aquilo que o Brasil conquistou com Fernando Henrique. Ele pode até argumentar, tenta, mas você olha pra ele e percebe que há um mal-estar, que preferiria estar falando de outra coisa, dos genéricos, dos mutirões de catarata ou coisa que o valha.

Não entendo por que mutirões de de catarata, por mais respeito que eu tenha pela saúde das pessoas, possam parecer mais importantes do que os benefícios que as privatizações trouxeram para os brasileiros.

É por termos um PSDB frouxo que o brasileiro médio parece pensar que sempre tivemos um país sem inflação e com moeda forte e estável. Esquecer os malefícios de uma inflação de três dígitos é um crime contra uma nação e um povo.

Lula pode ser grosseiro, mas não é burro. Percebam que ele não aceitou debater com FHC. Lula sabe quem é Fernando Henrique. Talvez os tucanos precisem tomar umas aulas com seu algoz.