31.12.08

Adeus 2008! Feliz 2009 (sem trema)!

Vamos ter uma mudança substancial nessa virada de ano: o trema vai nos deixar. Ou, se quiserem, vamos deixá-lo. Qüinqüênio, argüir, conseqüência, freqüentemente, pingüim, ensangüentado, seqüestro, lingüeta, agüentar, bilíngüe, delinqüente, cinqüenta, eloqüente, eqüestre e tranqüilidade perderão o U com os dois pontinhos em cima. Deixará saudades? Se bem que, falando seriamente, tal fato passará despercebido. Ninguém (não é ningüém, é ninguém mesmo) usava os dois pontinhos, a não ser com a ajuda do corretor ortográfico. A falta de uso o condenou ao esquecimento... e esquecimento já não tinha trema. Portanto, FELIZ 2009!


17.12.08

Sexo, relacionamento, política


A política, como sempre, está sem a menor graça. Vamos então à busca de temas mais prazerosos e divertidos. Leio na BBC Brasil que "Assistir a comédias românticas ou ler revistas femininas e masculinas pode prejudicar a vida amorosa e afetiva, afirma uma pesquisa da Heriot-Watt University, em Edimburgo, divulgada nesta quarta-feira."   Segundo os estudiosos, filmes românticos mostram situações distantes da realidade, "criando expectativas que não serão correspondidas".  "(...)trazem um tema comum: a idéia de uma "alma gêmea", que estamos todos predestinados a conhecer e que deveria nos conhecer instintivamente tão bem que poderiam "quase ler nossas mentes".  

Como política é a nossa praia, voltemos. Imagino poder fazer analogia com os nossos programas eleitorais gratuitos (gratuitos uma pinóia). Assistindo ao seu candidato falar sobre projetos, sobre a capacidade de liderança necessária (e que ele obviamente tem), ouvindo suas promessas e seus compromissos com o presente e o futuro, que ele representa tudo aquilo que um cidadão preocupado com a sociedade precisar ouvir, você estará percorrendo o caminho mais curto e fácil para expectativas que não serão correspondidas. Enfim, se quer votar num candidato, não o veja, não o ouça... fique longe. É a única maneira de evitar uma decepção eleitoral.

Política é como sexo. Evite sonhar.

16.12.08

A marolinha do maroto não é bem assim.

Quando a crise financeira estourou, o presidente Lula disse, mais ou menos assim: "Crise, qual crise?". Depois evoluiu para: "Isso é coisa de Bush, ele que se vire.". Mais adiante, reconhecendo existir alguma coisa de errada acontecendo na economia, chamou o fenômeno de "marolinha".

Leio AQUI, na Folha Online, um artigo de Fernando Canzian, no qual afirma que "A CNI (Confederação Nacional da Indústria) já prevê crescimento negativo do PIB no último trimestre de 2008 e no primeiro de 2009, o que colocaria "tecnicamente" a economia brasileira em recessão."   Segundo Canzian, a "grande onda negativa" está por vir.

Crescimento negativo do PIB, em dois trimestres consecutivos, é o que se chama de recessão. Portanto, se o horizonte não é simplesmente de uma desaceleração, muito menos da marolinha do Lula maroto, resta torcer pelo restabelecimento da economia americana, que a crise acabe logo por lá, haja vista ter adentrado rapidamente em solo brasileiro. E, de fato, as notícias não são boas. Li, hoje mesmo, que o Santo Obama declarou já estar se esgotando os mecanismos para controle da crise nos EUA.

Nunca, em toda a minha vida, torci para Lula estar certo. Quem me dera fosse apenas uma marolinha.

12.12.08

Deixem Obama fumar em paz.


Leio que "Grupos anti-tabagismo pediram nesta sexta-feira que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, abandone o vício como forma de estimular mais pessoas a pararem de fumar." Imagino que, além da crise que se debruça sobre a nação americana, Obama tem coisas mais importantes a pensar.

Uma delas é aquilo que pode vir a ser um escândalo de dimensões tão grandes quanto a crise. É o caso sobre a suposta venda do cargo de senador, até então ocupado por Barack,  pelo governador de Illinois. Há mais ou menos um mês, um assessor importante de Obama dissse que o futuro presidente e o governador de Illinois estavam travando conversas sobre o substituto no senado. Após a prisão do governador, Obama afirmou que nunca tratou deste assunto com ele. Afinal, conversaram ou não?

Sou ex-fumante. A mim pouco importa se Obama fuma. Aliás, prefiro que fume, se for necessário pra relaxar e governar bem. Interessa aos americanos e, considerando a crise econômica, ao resto do mundo se Obama está ou não no meio dessa enrascada. Se estiver... já era! O santo vai cair das nuvens.

10.12.08

Carta do PT de Coité: Melancolia.


O PT de Coité escreveu carta ao governador Wagner. Leia aqui, no site de BETÃO13. É pura melancolia. Só pra se ter uma idéia, em vez de finalizar com "Respeitosamente", como é de praxe, considerando ser uma missiva destinada a um governador, finaliza com um mórbido "Desesperadamente". Mais melancólica do que que ela, só conheço a Carta Testamento que antecede o suicídio de Getúlio Vargas.

Começa com a citação de um verso: Quanto mais carinho eu faço,/ Mais recebo ingratidão!” . Deu pra sentir o drama que tem aí, caro leitor? Ao longo da exposição, dá a entender que Wagner é um companheiro ingrato. 

Tem passagens magníficas, como: "Foi outra bomba que explodiu em nosso colo." OU "Como desgraça pouca é bobagem, em meio a Emério e Muniz, tivemos que enfrentar outro forte adversário" OU "A campanha eleitoral, aliás, foi um sofrimento à parte." OU "Dor mais forte foi ver Emério exibindo pesquisa encomendada pelo governo do estado cujos dados mostravam o candidato do PP-DEM-PSDB com 30% (trinta por cento) de vantagem sobre nosso companheiro." OU "A coleta de dados era duvidosa, mas a origem da pesquisa não. Vazá-la para Emério foi uma flagrante deslealdade contra nós." OU "Não foi fácil conter a revolta dos nossos militantes, mas ao menos tínhamos uma desculpa." OU "O companheiro Hélio Carneiro, do PT coiteense, ocupava o importante cargo de diretor geral da EGBA. Não ocupa mais. Foi substituído por um “progressista”. OU "Nosso desprestígio no governo estadual (...) extrapolou todos os limites do tolerável depois (...) da demissão do companheiro Hélio." OU "(...) demos pouca atenção à família em nome de uma causa. Agora nos perguntamos pra quê?" OU " Sentimo-nos vencidos, sem norte, sem motivação, sem perspectivas." OU "Será que existe na Bahia um diretório petista mais massacrado pelo governo estadual do que o de Conceição do Coité?" OU "  Não nos condene à extinção.". E, claro, terminando com "Desesperadamente, Diretório Municipal do PT de Conceição do Coité" 

Além das frases carregadas com morbidez dignas de Aloísio de Azevedo ou Augusto dos Anjos, tem um parágrafo que me impressionou muitíssimo. Toma lá e vê se entende, caro leitor -  "O prefeito eleito, Renato Souza (PP), é atualmente secretário municipal de agricultura. Seu grupo comemorou efusivamente a nomeação de Roberto Muniz porque viu nela um prenúncio de grandes parcerias." Então eu me pergunto, ao meu estilo mesmo: Condenam eles o prenúncio de uma parceria que pode vir a beneficiar o povo coiteense? É isso?! Fosse eu um médico, receitaria um bom antidepressivo.

E, evidentemente, não poderia faltar a explicação para a derrota, bem piegas, é claro: "Poderíamos ter vencido, sim. Bastava um pouco de companheirismo. Talvez a presença física do governador em nosso palanque, ou a antecipação de uma das obras prometidas e adiadas." Gosto particularmente de explicações mais simples, serenas e singelas - no preceito da Navalha de Occam -, acho mais fácil pensar que o PT perdeu porque seu candidato teve menos votos do que o outro, e o  governador Wagner - pelo menos neste ponto - deve concordar comigo.

9.12.08

Quem dá mais?


Após ser eleito presidente dos EUA, Barack Hussein Obama renunciou ao cargo de Senador pelo Estado de Illinois. Em casos assim, cabe ao governador do estado escolher o substituto. Acontece que o governador - um tal de Rod Blagojevich, o bonitão na foto ao lado, do partido Democrata, aliado de Obama - resolveu rifar o cargo. Quem dá mais, quem dá mais?! Isso mesmo! Fizeram umas escutas telefônicas e, resumindo, o governador foi preso nesta terça-feira e levou junto um assessor.

Está certo: Não consigo imaginar ser correta a prisão de um mandatário importante sem carregar pra cela pelo menos um assessor direto. É questão de lógica policial elementar.

Como não há mais nada a dizer sobre o assunto, vamos sofisticar e enrolar (como sempre) - Acho que não há diferenças essenciais entre brasileiros e americanos. Por baixo do verniz cultural e civilizacional, resta apenas o ser humano, a mesma coisa de sempre. Ladrão, bandido, descarado, corrupto, assassino, safado, canalha, mentiroso, patife, safardana, velhaco, desavergonhado e demagogo há em todo lugar. A diferença é que, nos "esteites", a Justiça condena e a polícia  prende e pronto!

Mas é curioso esse "negócio" de governador indicar substituto de senador, não é mesmo? Se bem que não tão estranhamente diferente do que acontece pelas bandas de cá. No Brasil, não há necessidade de indicação de substituto em caso de morte ou renúncia. Cada senador escolhe e carrega o seu suplente, sem mais nem menos. E é cada suplente... que valha me Deus!

Os suplentes no Senado da República do Brasil são as figuras mais inexpressivas e exóticas de nosso zoológico político. São chamados carinhosamente de senadores sem voto. O suplente de ACM é o filho, uma figura politicamente inexistente; o de Helio Costa é um cabeludo, de cujo nome nem mais lembro. E, pior, boa parte dos titulares não difere deles tanto assim.

7.12.08

AI-5, 40 ANOS.

Estamos de volta. Desta vez com o AI-5. Há quarenta anos, em dezembro de 1968, o "ato institucional número cinco" caiu sobre a vida brasileira - digo com pretensões poéticas - descortinando uma longa noite sobre a liberdade. Leio na Folha Online sobre a revelação de um ex-presidente da Arena, um dos redatores do "ato", que o presidente Médici pretendeu revogar o AI-5, mas encontrou dura oposição entre os militares linha-dura. Enfim, havia de fato uma ditadura. Mas, por trás do militar-presidente, existia uma coisa sem nome e se forma, composta de militares e civis, que dava cartas e ameaçava até mesmo o ditador de plantão.

Há os que lembram do "ato" e suas conseqüências, até mesmo com nostalgia e saudade. Há também aqueles cujo objetivo é revirar o passado e "magoar" velhas feridas, dar um chute na Lei de Anistia (uma solução consensual e pacífica para o fim da ditadura), punir publicamente os torturadores, mantendo contudo a inocência dos seqüestradores, ladrões de bancos, assassinos e terroristas; e, claro, arrancar ainda mais dinheiro do contribuinte, como já acontece, e em profusão. É um filme com poucos mocinhos, a maior parte do elenco é de feios, sujos e malvados. Os poucos mocinhos, entre eles Ulysses Guimarães, ficam agora em segundo plano;  enquanto os da outra banda - os aventureiros da "resistência" armada - com orgulho altivo e arrogância, e só agora ouvimos falar de alguns deles, tiram pose de heróis da democracia. Valha-me Deus!

Vou dar meu palpite: Ditadura não presta, é sempre ruim, não importa de qual naipe seja. A nossa teria que acabar, como acabou. Mas seria mais breve e branda, caso não houvesse a turma da chamada resistência armada, democratas de araque, com pretensões de substituir uma ditadura de direita por uma de esquerda, combinando os estilos soviético, chinês ou albanês - pior que a dos militares, eu supunho - pois, a exemplo das similares comunistas, supostamente mais brutal e estancaria a economia.

A turma reminiscente da "resistência" armada já tem seu candidato à presidência da República. Embora os militares estejam de fora e os tempos sejam outros, as variantes e filhotes do AI-5 continuam a nos assombrar.